sexta-feira, 1 de março de 2013

Dia mundial de luta contra a LER\DORT, 28 de fevereiro

As lesões por LER\DORT (Esforço Repetitivo ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), constituem-se num dos mais sérios problemas de saúde enfrentados pelos trabalhadores e trabalhadoras e sindicatos no Brasil e no mundo.

Cerca de 80% a 90% dos casos de doenças relacionadas ao trabalho nos últimos 10 anos no país são representados pela LER/ DORT, o que evidencia a gravidade e abrangência do problema.

Esse é sem dúvida um dos reflexos mais diretos das mudanças ocorridas nas condições e ambientes de trabalho, com a introdução de processos automatizados, aumento do ritmo de tarefas, novas formas de gestão com ênfase na produtividade e lucro, desencadeando maior pressão para a execução de atividades.

Isso sem mencionar a redução dos postos de trabalho, o que vem provocando cada vez mais competição entre os próprios funcionários.

Cabe aos trabalhadores e trabalhadoras se organizarem para lutar contra esse quadro, pois somente dessa forma será possível mudar as situações de trabalho causadores pela LER\DORT.

Hoje, o aprofundamento da reestruturação produtiva, em que o modo de trabalhar muda em função das exigências do mercado, faz com que os patrões fiquem de olhos apenas nos lucros priorizando a diminuição nos custos de produção, reduzindo o emprego e aumentando a produtividade da empresa.

Com isso, houve o aumento da pressão por produção sobre os trabalhadores. Novas formas de gestão e organização do trabalho foram implantadas e houve uma modernização desenfreada dos maquinários das empresas, desprezando as consequências disso, para a saúde de quem trabalha.

O que causa LER/DORT

A Sigla LER/DORT foi criada para identificar um conjunto de doenças que atingem músculos, tendões, nervos (dedos, mão, antebraços, braços e pescoço) e tem relação direta com as condições de trabalho.

Pode ocorrer também em membros inferiores (perna) e coluna vertebral, com inflamações e lesões provocadas por atividades do trabalho que exige do trabalhador realizar suas tarefas em condições que não são ergonômicas. Por exemplo: trabalhar fazendo força física, posições incomodas e inadequadas, receptividade, entre outros fatores. A LER, se diagnosticada em tempo, pode ser tratada, porém, se o diagnóstico for feito tardiamente a mesma não tem cura.

Dificuldade e afastamento do trabalho por LER/DORT

Uma das exigências para o tratamento desta doença é o afastamento do trabalho. Isto é obrigatório, entretanto, as novas medidas sobre as pericias no INSS dificultam ainda mais esse afastamento.

Se os trabalhadores já encontravam dificuldades de provar junto aos peritos do INSS que as lesões por LER\DORT estavam sendo contraídas devido aos ambientes nocivos à saúde dentro das empresas, agora, com as mudanças feitas pelo governo ficará muito pior.

Nas pericias antigas já era difícil de conseguir o beneficio e o devido afastamento. Mesmo com laudos e testemunhas, muitos peritos negavam este direito para os trabalhadores. Porém, nas regras anteriores, logo após a negativa, o lesionado podia entrar com recurso junto ao INSS e pleitear uma nova pericia em busca da reconsideração do pedido negado.

Além disso, o médico perito, que havia negado o benefício na primeira solicitação, não poderia ser o perito da solicitação da reconsideração.

Agora, com as novas medidas, tudo mudou. Se negado o pedido de afastamento, o lesionado só poderá solicitar a reconsideração após de 30 dias. Além disso, o perito que negou o laudo da primeira vez pode ser indicado para analisar o pedido de reconsideração.

Esta situação dificulta a vida dos trabalhadores que precisam desse afastamento. Na maioria das vezes, quem não aceita o retorno do trabalhador é o próprio médico das empresas, haja vista que em grande parte dos casos o trabalhador não esta apto a retornar ao trabalho, pois a LER\DORT não tem cura.

Na situação anterior o trabalhador solicitava o recurso e se reconsiderado tinha seu beneficio mantido. Agora, se quiser recorrer, terá que ficar um mês fora da fábrica, e, além de não receber neste período, ainda corre o risco de demissão por abandono de emprego.

Para piorar ainda mais a situação, o trabalhador pode ser avaliado pelo mesmo médico perito que negou o pedido anteriormente.

Por isso, nesse dia 28 de fevereiro, dia mundial de luta contra LER/DORT, vamos realizar atos nas sedes do INSS onde for possível, vamos protestar contra os abusos das empresas.

Vamos exigir o fim dos ambientes nocivos dentro das empresas que aumentam o aparecimento dessa doença.

Vamos exigir também do governo que revogue as medidas recentes referentes às pericias que só pioram a vida dos trabalhadores e trabalhadoras em nosso país.

Fonte: CSP-Conlutas

Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro de 2013

 "Sistemas alimentares sustentáveis para a Segurança Alimentar e Nutricional"
será o foco do Dia Mundial da Alimentação, em 2013.

O  tema do Dia Mundial da Alimentação - anunciado pela Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) para 2013 - dá foco para observâncias e ajuda a aumentar a compreensão dos problemas e soluções  para acabar com a fome.


 Hoje quase 870 milhões de pessoas no mundo estão cronicamente subnutridas.  Modelos insustentáveis de desenvolvimento estão degradando o meio ambiente natural, ameaçando os ecossistemas ea biodiversidade que serão necessários para o nosso futuro fornecimento de alimentos.  Exige mudanças profundas na nossa agricultura e sistemas alimentares são cada vez mais frequentes e mais insistente.



O que seria um sistema alimentar sustentável?  É possível chegar daqui até lá?  O que precisa mudar para nos mover nessa direção?  Dia Mundial da Alimentação 2013 é uma oportunidade para explorar estas e outras perguntas, e ajudar a trazer o futuro que queremos.
Fonte: FAO


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sociedade civil alerta o Conselho de Segurança da ONU:

[New York - Estados Unidos] - 15 de fevereiro de 2013 – A Climate Action Network-International (CAN-Internacional), rede global que congrega mais de 700 organizações não governamentais de todo o mundo, entre elas o Vitae Civilis, alertou num evento especial para os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas que as mudanças climáticas são um fator crítico para a pobreza, a desigualdade, a instabilidade e os conflitos que, desta forma, acaba afetando a todos. O alerta foi dado durante encontro do Conselho realizado hoje na sede da ONU em Nova York.
Wael Hmaidan, diretor da CAN-Internacional, disse na reunião, convocada pelo Paquistão e Reino Unido, que a situação exige um compromisso sem precedentes para uma ação coletiva que reduza drasticamente os riscos desencadeados pelo clima, que já estão sendo vivenciados pelos mais pobres e mais vulneráveis nas nossas sociedades.
"Estamos seriamente preocupados com as perspectivas de deslocamentos em massa de pessoas dentro dos países e entre fronteiras, provocados diretamente por eventos climáticos como aumento do nível do mar, secas, desertificação, perda de biodiversidade e, indiretamente, por seus impactos sobre alimentos e recursos naturais", disse Hmaidan.
"Nós reconhecemos que a decisão de sair de casa e da comunidade é muitas vezes o resultado de múltiplos fatores, mas que os impactos das mudanças climáticas são muitas vezes um fator crítico”, disse ele. Por exemplo, as milhares de pessoas que foram deslocadas da Somália para os países vizinhos em 2011 não estavam fugindo de conflitos, mas em busca de alimento, na decorrência da seca.
Tim Gore, da Oxfam Internacional, também presente no evento, disse que onde o risco climático ser visto mais claramente é no sistema alimentar global. "As secas ou inundações podem destruir colheitas inteiras, como temos visto nos últimos anos no Paquistão, no Chifre de África e em todo o Sahel (região da África situada entre o deserto do Saara e as terras mais férteis a sul, que forma um corredor quase ininterrupto do Atlântico ao Mar Vermelho, numa largura que varia entre 500 e 700 km). E quando eventos climáticos extremos atingem grandes produtores mundiais de alimentos - como as secas do ano passado nos EUA e na Rússia – as cotações mundiais dos alimentos disparam. Isso representa um grande risco para os países que dependem da importação de alimentos, como o Iêmen, que compra 90% do trigo ", disse Gore. "Os protestos por comida e os distúrbios sociais ocorridos na sequência do pico de alta no preço dos alimentos, em 2008, não foram fenômenos isolados, mas um sinal dos riscos que enfrentamos por conta de nossa incapacidade de alimentar um mundo cada vez mais quente. Os grandes produtores que ainda sofrem as conseqüências ou tentam se recuperar de secas e ondas de calor extremas, junto com a redução nos estoques globais de cereais, colocam a segurança alimentar do mundo no fio de uma navalha.”
Hmaidan disse que os governos precisam elevar dramaticamente os investimentos públicos para ajudar as comunidades e os países se adaptarem às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que aumentam os esforços internacionais para reduzir as emissões de gases de efeito estufa para evitar danos muito maiores. "É preciso preparação adequada para perdas e danos permanentes causados pelas mudanças climáticas, incluindo o estabelecimento de um novo mecanismo internacional sob discussão na UNFCCC e o reconhecimento de novos direitos para a migração forçada pelo clima", disse Hmaidan.
A Climate Action Network (CAN) é uma rede global de mais de 700 ONGs que trabalham para promover a ação de governos e indivíduos para limitar as mudanças climáticas induzidas pelas atividades humanas a níveis ecologicamente sustentáveis.
Para mais informações, entre em contato com Climate Action Network-International
Coordenadora de comunicação
Ria Voorhaar
Tradução Silvia Dias – Vitae Civilis

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

carta resposta da Comunidade Indígena Aldeia Maracanã ao governador Sérgio Cabral


Na qualidade de representante da Comunidade Indígena Aldeia Maracanã, a Defensoria Pública da União no Rio de Janeiro (DPU/RJ) enviou na terça (29), resposta à carta-proposta do Governo do Estado, recebida via Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH). O documento, elaborado pelos próprios índios que habitam o antigo Museu do Índio, foi enviado por fax à Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro.

Abaixo, texto da carta elaborada pelos índios:

"Excelentíssimo Senhor Governador,

Recebemos com um misto de júbilo e apreensão sua carta-proposta (via Secretaria Estadual de Direitos Humanos) que trata da nossa permanência no velho prédio do antigo Museu do Índio e das possibilidades de darmos continuidade ao nosso projeto de transformá-lo em uma instituição cultural digna da cidade do Rio de Janeiro e da nossa presença nessa cidade.

Passamos dias e dias discutindo sua proposta, entre nós indígenas, e com todos os não indígenas que vêm nos prestigiando em suas demonstrações de interesse e amor por nossa causa.

Qual a nossa causa, Senhor governador?

É simples, porém difícil de ser realizada, e acreditamos que só poderá ser realizada numa cidade como o Rio de Janeiro, por sua abertura ao novo, ao inusitado, à criação cultural e política.

Queremos, como V. Exa., transformar o Museu do Índio num Centro Cultural que proporcione a todos nós uma vivência urbana digna, livre, autônoma e criativa.

Só que V. Exa. quer que saiamos deste prédio majestoso, varonil, e que guarda para nós, indígenas, a memória de nosso melhor relacionamento com a sociedade brasileira. Guarda também para os cariocas e todos os habitantes que amam essa cidade a memória de um passado que não pode ser destruído, sob pena de todos nós perdermos nossas raízes, nosso conhecimento e nossa memória histórica.

Perguntamo-nos: Será que o Exmo. Governador não frequentou este prédio quando era o velho Museu do Índio?

Tantos homens e mulheres o visitaram em suas infâncias, levados por suas professoras para conhecer algo de nossas vidas e nossas culturas. Por certo o Senhor também o visitou, com seu ilustre pai e sua mais ilustre mãe, que é uma museóloga de mão cheia.

Não cabe nesta nossa simples resposta à sua carta-proposta explanar detalhadamente o que significa esse Museu para nós, para nossas culturas e para nossa história de relacionamento com a sociedade brasileira. Aqui foi elaborada e edificada a política indigenista brasileira, ao tempo de Marechal Cândido Rondon, Darcy Ribeiro, Orlando Villas-Boas e outros luminares do indigenismo brasileiro. Aqui nossos avós foram recebidos por esses homens cheios de boa vontade e amor para nos dar um alento e apontar uma direção para os nossos problemas criados pela expansão brasileira sobre nossas terras. Para maior esclarecimento sobre este ponto, incluímos em anexo a esta carta o laudo escrito pelo antropólogo Mércio Pereira Gomes sobre a importância deste Museu do Índio para nós.

Nossa proposta aqui não é bem uma contra-proposta. Achamos que ainda não é tempo de negociação e sim de diálogo.

Queremos convidá-lo para vir aqui e conhecer esse prédio maravilhoso, com pé direito de mais de oito metros, com paredes de um metro de largura, feitas com pedra, barro e gordura de baleia. É um prédio construído em 1862, Senhor Governador! E que está de pé, ainda imponente, à vista de quem vai ao Estádio Mário Filho, quem passa indo e vindo da Zona Norte, ao lado da UERJ, com saída do Metrô.

Como nos querer persuadir de que estaríamos melhor num antigo presídio, conforme sua proposta? Só o nome presídio nos causa calafrios, lembranças de tantos sofrimentos por que passaram nossos povos.

Estamos na cidade do Rio de Janeiro, e em tantas outras cidades brasileiras, Senhor Governador, porque queremos. Não somos rebotalhos de povos em extinção. Somos representantes de povos que agüentaram as agruras das perseguições, da morte morrida e da morte matada, e estamos em crescimento. Alguém diria: em crescimento demográfico e em ascensão político-cultural. Alguns de nós temos nossas terras demarcadas e garantidas, outras as têm em pequena porção do que já as tiveram, outros ainda precisam de ter suas terras reconhecidas. Inclusive neste estado fluminense, Senhor Governador.

Por que estamos aqui e por que queremos a criação de um Centro Cultural neste velho Museu? Porque queremos viver uma experiência humana que não conhecemos. Queremos viver uma vida urbana, sem perder nossa identidade. Queremos mostrar para o povo brasileiro não indígena que estamos vivos e que podemos contribuir para o avanço da cultura brasileira.

Podemos, sim! Nossas culturas são singelas, porém sólidas, complexas, ricas em conhecimento do mundo da Natureza, experiências humanas que não podem desaparecer. Isto sabem os que já viveram conosco, desde os marinheiros ingleses e irlandeses que tinham uma feitoria em Cabo Frio, em 1502, e que explicaram para Thomas Morus como era nossa cultura, nosso modo de ser. Thomas Morus, inspirado nesses relatos, escreveu a Utopia, um dos livros mais importantes da civilização ocidental, e que o Senhor certamente já o leu, ou sabe dele por sua experiência política de esquerda, num passado de sua vida não tão remoto.

O mundo vem mudando muito rapidamente. Em nossas terras sentimos dificuldades de compreender essas mudanças. Assim, a vinda de parentes indígenas às cidades não é só para passear, para vender artesanato ou para trabalhar, mas também para conhecer e vivenciar.

O que fizemos neste prédio magnífico foi retomá-lo de seu abandono. Resgatamos do tempo cruel esse prédio, Senhor Governador. Nos orgulhamos disso. E os nossos amigos e visitantes não indígenas sentem o quão importante para a cidade do Rio de Janeiro e para seus habitantes é este resgate.

Queremos dar vida cultural a esse prédio. Queremos que nossa cultura, nossas comidas, nosso artesanato sejam apreciados por todos. Aqui poderemos fazer algo excepcional, digno desta cidade maravilhosa, que todos amamos.

Venha nos visitar, Senhor Governador. Venha conhecer esse prédio e ver o que pode ser feito com ele e por ele. Por nós e por todos que nos ajudarem.

A nossa Copa do Mundo não vai melhorar se esse prédio for demolido. Ao contrário, vai empobrecer. O Senhor não acha que os estrangeiros que aqui virão não apreciarão o fato de ao lado do estádio de futebol mais lindo do mundo haver um Museu vivo da cultura indígena, a raiz do povo brasileiro? Sabemos que apreciarão, Senhor Governador. Eles vêm aqui em grande número. Jornalistas, principalmente, para noticiar em seus países o que estão fazendo sobre esse prédio e conosco, mas também gente curiosa, ansiosa por conhecer o que é o Brasil. O Brasil somos nós também, Senhor Governador. Ninguém quererá que eles tenham uma impressão de que o Brasil é um país que não respeita sua minoria mais enraizada, os brasileiros natos por excelência. Os estrangeiros, Senhor Governador, querem ver o Museu de pé, funcionando, e se alegrarão ao ver nossas representações culturais, quando aqui estiverem.

Por fim, Senhor Governador, temos a dizer que não sairemos do Museu do Índio. Negociaremos qualquer coisa, menos isso. Não adianta mandar policia nem tropa de choque. Até porque já enfrentamos a violência de fazendeiros, bandeirantes, milícias e forças militares. Perdemos muitas lutas, reconhecemos, mas ganhamos outras, no sacrifício, na inteligência, na paz. Por isso estamos vivos.

Seu governo se engrandecerá se nos ajudar a pôr em funcionamento o nosso plano, que também é, ao que indica sua proposta, seu também. A criação de um Centro Cultural Indígena, dirigido por nós, autonomamente, com a colaboração valiosa de todos os brasileiros que têm nos visitado, nos dado sugestões, voluntariamente convivendo conosco.

Em atenção à sua carta-proposta, nos despedimos aguardando sua visita e sua mais correta comunicação.

Atenciosamente,

Comunidade Indígena Aldeia Maracanã"

 

sábado, 19 de janeiro de 2013

O BRASIL QUER SALVAR O MUSEU DO ÍNDIO DO BRASIL

Amigos(as),

Acabei de ler e assinar este abaixo-assinado online: «O BRASIL QUER SALVAR O MUSEU DO ÍNDIO DO BRASIL»
http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2013N34576

Pessoalmente, concordo com este abaixo-assinado e acho que você também pode concordar.

Assine o abaixo-assinado e divulgue para seus contatos.